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a sua newsletter de marketing & economia digital
por Frederico Carvalho

Esta newsletter está carregadinha de conteúdo útil.

Muitas horinhas prazerosas de produção, feita com carinho para a comunidade de entusiastas na área do marketing & economia digital.

P.S – Esta semana realizei duas formações a 71, profissionais do mercado imobiliário sobre Email Marketing. Se for um tema que lhe interessa, confira aqui >

REDES SOCIAIS

Esforço vs. Compensação nas Redes Sociais.

Nos últimos tempos, chamou-me a atenção, a explosão de pessoas com recomendações empíricas de boas práticas, soluções rápidas da Bimby e danças animadas com caretas expressivas para agarrar a atenção da audiência, especificamente na área de redes sociais.

Nada contra, até acho engraçado.
É positivo que a mensagem principal seja a necessidade da especialização, consistência e formação.

O que me incomoda são as falsas promessas de resultados e a ligeireza para alcançar objetivos concretos que estão diretamente associados ao negócio. A ausência de fontes, resultados, estudos, informação concreta, além do palpite, que leve as pessoas a perceber, a justificação de ações, o porquê.

Note que a gestão de redes sociais em 2021 é extremamente trabalhosa.
Exige um esforço muito grande de tempo, dinheiro e recursos para, de forma orgânica (sem pagar), cumprir com objetivos de conversão, sejam eles a captação de leads ou vendas.

Motivo: O alcance e a interação caem todos os anos, porque a lei de metcalfe é aplicada. 

Sim, é uma fonte de tráfego importante e deve ser utilizada, mas o mercado está cada vez mais concentrado nos grandes monopólios, o que significa que têm a barriguinha cheia de utilizadores.
Em Portugal, sensivelmente 7 milhões de pessoas têm acesso à Internet e 6 milhões estão no Facebook.

Resultado: As plataformas podem cobrar mais para que as publicações das pessoas/marcas cheguem à audiência desejada.

Consequência: A grande dispersão. Os utilizadores procuram soluções noutras plataformas para terem mais alcance ou interação.

A pensar nisso, levei algumas horas a pesquisar informação sobre:
1) Alcance (Reach): Após publicar um post, quantas pessoas veem os seus conteúdos?
Ver aqui >

2) Interação (Engagement): Após publicar um post, qual é a percentagem de pessoas que eventualmente vai interagir com o seu conteúdo?
Ver aqui >.

AUDIO & PODCAST

Crescimento do áudio: Do Spotify à Clubhouse.

Numa série de anúncios que incluem um podcast do antigo Presidente Barack Obama e o «The Boss» Bruce Springsteen, bem como o seu plano de domínio global, a Spotify revelou estar a expandir-se para ajudar os anunciantes a alcançar mais ouvintes «dentro e fora» da sua plataforma.

(⭐Pro ↓)

Denominada Spotify Audience Network, a oferta é um «mercado de publicidade áudio de primeira qualidade» em toda a carteira de streaming de áudio e podcasts da Spotify.

Além de permitir que os anúncios rodem na Spotify, o novo sistema vai permitir aos anunciantes alcançar os ouvintes, noutras plataformas terceirizadas (Audience Network), como já acontece na lógica de anúncios no Facebook.

A marca anunciou a expansão da sua plataforma de self-service «Stream On» para incluir anúncios para podcasts. O investimento mínimo será de $1,000, tornando o meio mais acessível a marcas e empresas mais pequenas.

O objetivo da Spotify é tornar-se um balcão único para todos os elementos relacionados com publicidade áudio.

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A Spotify está a construir e a escalar o seu algoritmo de recomendação de podcast para corresponder ao seu algoritmo musical.
E está a apostar em machine learning para aprimorar os algoritmos e corresponder às preferências dos utilizadores – melhor classificação de atributos precisa de conteúdo à escala.

A Spotify esclareceu os seus investidores que ainda está em fase de «crescimento».

Na segunda-feira, a Spotify anunciou planos para avançar para 85 novos mercados, principalmente na Ásia, África, Pacífico e Caraíbas, bem como o anúncio de uma nova subscrição premium com áudio de “maior qualidade”. Para o gigante de streaming sueco, esses novos mercados deverão abrir a empresa a mais de mil milhões de novos clientes potenciais.

A Spotify abrandou o seu crescimento para saudáveis, 16% e tem uma perda líquida anual desde 2011, daí a importância das comunicações de segunda-feira.

Reiterando a mensagem, a Spotify é ainda uma empresa em crescimento e, se os investidores começarem a ver a Spotify como uma empresa de menor crescimento, terão de verificar os lucros, para justificar a posse das ações – algo que a Spotify não tem sido boa a produzir.

Os grandes podcasts

No ano passado, 55% dos americanos relataram ter escutado um podcast, em comparação com 51% no ano anterior. 

Publiquei sobre este assunto em janeiro, relacionado com o contexto nacional >

Não é surpresa que a Spotify tenha duplicado a sua aposta nos grandes podcasts, revelando vários  exclusivos com grandes nomes como Barack & Michelle Obama, Bruce Springsteen e Ava DuVernay

Os podcasts não são apenas uma oportunidade para construir uma rede de publicidade, são também a oportunidade de conduzir novos subscritores para a Spotify. 

Isto é particularmente importante para conteúdos exclusivos: os ouvintes ouvem sobre um assunto e depois aumentam o seu envolvimento com outros conteúdos, até eventualmente se tornarem assinantes de plena vontade e direito.

O que é interessante sobre as opções de assinatura, no modelo de negócio da Spotify, é a diferença entre a gestão de música e de podcasts. 

A música é centralizada, o que se presta a um preço de pacote, enquanto os podcasts são altamente descentralizados, o que se presta a subscrições a la carte

A música é também mais perene e, provavelmente, lançada esporadicamente, enquanto os podcasts são frequentemente mais oportunos e lançados regularmente. 

Estas qualidades exigem também diferentes modelos de negócio de subscrição.

O Ceo da Spotify, Daniel EK, declarou esta semana:

 «Sempre fez parte do nosso roteiro apoiar os criadores com mais formas de rentabilizar… A forma de pensar sobre isso é que, no início, tivemos de tornar a proposta simples para todos os atores. Por isso, era um tamanho único para todos. E sabíamos à medida que o mercado amadurecia, que parte da força do negócio e da plataforma seria permitir muitas mais formas para que os criadores aumentassem o seu público e se envolvessem com os seus fãs e rentabilizassem os seus fãs, e isso traduz-se na multiplicidade de anúncios apoiados, subscrição e a la carte. Portanto, sempre esteve no roteiro apoiar algum tipo de modelo transacional. Mas obviamente temos olhado para o sucesso dos paywalls por aí e tendo visto a ascensão de criadores em muitas destas plataformas estamos muito concentrados e sintonizados com o que os criadores querem, e a ajudar a servi-los de mais maneiras.»

Isto é relevante por duas razões.
Por um lado, a Spotify estava a aproximar-se deliberadamente de ter uma grande base de subscritores, mesmo que as margens não fossem grandes, por outro, estava a alavancar o crescimento com novas soluções de negócio, para extrair concessões dos fornecedores. 

Ao mesmo tempo, Daniel Ek foi bastante claro com a ideia de apoiar as subscrições a la carte, algo relativamente novo no seu roteiro. Isto revela tanto sobre a estratégia original como da vontade do CEO da Spotify em ajustar-se à medida que surgem novas oportunidades.

A indústria de anúncios de podcasts poderá estar a caminhar para um enorme crescimento, mas há algumas peculiaridades com o formato:

  • Problemas de medição: As principais estatísticas da indústria, tais como downloads, impressões e ouvintes reais, são difíceis de medir e não são padronizadas.
  • Anúncios estáticos: Uma vez descarregado um podcast, o anúncio em si não pode ser atualizado para atingir um determinado ouvinte.

É por isso que, quando um apresentador lê o anúncio, normalmente é feito num formato de resposta direta (por exemplo, «use código PROZI* para as suas luvas de exercício, à prova de bala»), o que permite ser facilmente medido.

Está a ser criado um novo quadro publicitário, impulsionado por duas aquisições-chave: Anchor (podcast production) e Megaphone (podcast ad platform).


O Stream On da Spotify destacou 3 desenvolvimentos publicitários:

  •  Streaming de inserção de anúncios (SAI): Um serviço que proporciona uma segmentação de anúncios de conteúdo exclusivo da Spotify em formato Facebook.
  •  Spotify Ad Studio: Uma ferramenta para os anunciantes numa lógica do-it-yourself e anúncios de áudio.
  •  Spotify Audience Network (Spotify Rede de audiências): Este serviço ainda está nos seus primórdios, mas permitirá aos anunciantes visar utilizadores específicos em vez de um programa especificamente.

Estes desenvolvimentos andam de mãos dadas com os enormes gastos da Spotify em talentos, incluindo os de Joe Rogan, Obamas, e Bill Simmons.

Spotify não é o único que faz movimentos.

Tem havido uma onda de atividade no espaço do podcast nos últimos anos:

  • A Liberty Media (proprietária da Sirius XM, Pandora, iHeartRadio) adquiriu o podcast player Stitcher, o serviço de alojamento Simplecast, e a empresa de medição de anúncios Triton Digital.
  • A Amazon adquiriu o estúdio de podcasts Wondery e lançou podcasts no seu leitor Audible.
  • A Apple, um líder de longa data (embora muito descontraído) em podcasting, adquiriu o Scout FM, que usa IA para curar listas de reprodução de podcasts personalizadas.

A empresa de pesquisa eMarketer prevê milhões em receitas para os anos vindouros e 2021 terá um pico nesta área.


E o Clubhouse?

A distinção entre a criação e o consumo é curta.

A maioria das pessoas são consumidores, possivelmente porque a primeira exposição que muitos tiveram ao Clubhouse foi efetivamente um podcast ao vivo. Muitos dos comentários que fui acompanhando e feedback recebido têm foco nesse aspeto.

A verdadeira descoberta do Clubhouse é sobre a criação.

  • Primeiro, é muito mais fácil reunir um grupo de pessoas para uma conversa informal, que não requer mais do que o toque de um botão do que uma gravação podcast formal.
    A conveniência é importante. Muito.
  • Segundo, o ritmo e a «sensação» de uma conversa é fundamentalmente diferente da produção editada de um podcast. 

    Terceiro, uma sala não é simplesmente sobre aqueles que foram convidados, mas múltiplos outros que levantaram as mãos e se juntaram, por vezes para partilhar as suas histórias ou questões.

No entanto, a infelicidade é que nada fica gravado, através das opções diretas da plataforma.

Mas isso é um «problema» que pode ser resolvido, possivelmente do lado da monetização do negócio. Podem facilmente imaginar salas «gravadas», onde os participantes têm de concordar que o que dizem, poderá, eventualmente, ficar disponível a pedido ou talvez lançado como um podcast. 

Apesar disso, não será o mesmo: ao vivo e com espontaneidade é diferente.
Mais social, algo também se aplica à lógica do vídeo.

É por isso que a Netflix também nunca esteve interessada em conteúdos em direto, e posso perceber que a Spotify faça a mesma escolha.

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BLOCKCHAIN & ARTE

A explosão da Internet no mercado das NFT.

Mas o que é um NFT? 
É um token intercambiável, uma espécie de voucher. Um artigo exclusivo.
As NFT são bens digitais distintos e facilmente verificáveis que podem representar desde bens imóveis virtuais a momentos queridos na história da NBA. 

Possuir uma NFT é possuir uma peça da Internet.

Alguns exemplos:

(⭐Pro ↓)

  • «Nyan Cat», o meme do gato arco-íris de uma década, vendido por cerca de 580 000 dólares na semana passada.
  • Um vídeo de LeBron James dunking foi vendido por $47 700. (vídeo em baixo)
    Mais detalhes aqui <
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O artista digital Mike Winkelmann, também conhecido por Beeple, tem hoje uma peça leiloada pela Christie’s, considerada a primeira obra de arte totalmente digital, baseada em NFT alguma vez vendida por uma grande casa de leilões, e a primeira a aceitar a moeda criptográfica (Etherum, especificamente) como uma opção de pagamento. 

O que é? Uma colagem digital de 5000 imagens. São pequenos mundos da série Everyday da Beeple, na qual Winkelmann tem criado uma nova peça de arte digital todos os dias há mais de 10 anos.

Ver outros exemplos >

NFT contexto histórico:

A criação da Bitcoin introduziu o conceito de trustless, que é quando não há necessidade de confiança entre os utilizadores na rede. Além disso, existe o conceito de escassez digital, que limita a disponibilidade de moedas. 

Antes, o custo de replicar algo no mundo digital era próximo de zero. Com o advento da tecnologia blockchain, a escassez digital programável tornou-se possível – e agora está a ser usada para mapear o mundo digital para o mundo real.

Os tokens não fungíveis (NFTs), também conhecidos como cripto-colecionáveis, expandem essa ideia. 

Ao contrário das criptomoedas, onde todos os tokens são criados igualmente, os tokens não fungíveis são únicos e em  quantidade limitada. 

Os NFTs são um dos principais componentes de uma nova economia digital com base na tecnologia blockchain

O mercado NFT está, como se costuma dizer nos círculos profissionais, a explodir. 

Triplicou em 2020 para $250+ milhões. 

A NBA Top Shot, um mercado NFT para pequenos trechos de vídeo no basquetebol, acabou de conseguir $95 milhões em vendas em sete dias.

Interessado num Beeple? Em dezembro de 2020, uma coleção de 20 peças do artista Beeple foram vendidas por 3,5 milhões de dólares noutra plataforma NFT, Nifty Gateway. 

Sabe qual é estimativa oficial de venda da Christie’s para a Everydays, do referido autor ? Acho melhor espreitar o contexto no link em cima se quiser saber mais.

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FUTURO

A Realidade Aumentada e a Realidade Virtual na BigTech.

«É a realidade aumentada que está a impulsionar o nosso futuro», disse recentemente Evan Spiegel, CEO da Snap.

«A Realidade Aumentada é a próxima grande mudança na computação», prevê Spiegel, mas precisamos de uma década até que se materialize totalmente.

Mark Zuckerberg concorda, sobretudo, porque previu, no ano passado, que iremos obter óculos de Realidade Aumentada (RA) «revolucionários» nesta década. 

(⭐Pro ↓)

Tim Cook pensa que a RA «penetrará toda a nossa vida», e, neste momento, as ambições de realidade mista ultrassecretas da Apple são realmente não tão secretas. 

Neste momento, quase todos os que interagem com a RA fazem-no através de um telefone. 

O que se sabe até agora é que o chipset XR da Qualcomm irá alimentar muitos dispositivos de/com Realidade Aumentada RA e Realidade Virtual (VR) da próxima geração. 

Na passada quarta-feira, o fabricante de chips anunciou que está a trabalhar num novo projeto de hardware para empresas que pretendem construir óculos RA com base no XR1 e outras tecnologias disponíveis. 

O protótipo da Qualcomm é um vislumbre do futuro próximo do RA.

O hardware RA ainda tem muitos constrangimentos técnicos, desde a gestão de energia até ao poder de processamento. 

Os atuais preços atraem os compradores comerciais. Contudo, além dos primeiros utilizadores, no mercado de grande consumo, ainda falta ganhar escala.

A grande manchete RV desta semana vem da Sony. A PlayStation 5 vai ter o seu próprio sistema RV, anunciou quarta-feira a empresa.  

O que a Sony promete: Um sistema de RV mais imersivo, novas capacidades de rastreio e controladores de próxima geração com entradas adicionais. 

Quando: O CEO da PlayStation, Jim Ryan, já disse que não será em 2021. 

A RV é concorrente da AR ou uma ponte tecnológica para ela.

O hardware RA será eventualmente um mercado de grande consumo.

A Sony lançou, há quatro anos, o seu primeiro headset PlayStation RV – que se liga através de cabo à consola PlayStation 4 da empresa.

Embora o produto tenha gerado algum interesse, as consolas da Sony estavam longe do sucesso. 

Hideaki Nishino, vice-presidente sénior de planeamento e gestão de plataformas da Sony, referiu que o novo headset PlayStation 5 RV irá proporcionar «saltos dramáticos no desempenho e interatividade». 

O sistema vai incluir melhorias na resolução do ecrã como  o campo de visão, a área observável, o controlador e o dispositivo portátil utilizado para navegar no interior de ambientes RV.

A Sony já está a anunciar os seus planos para o sistema mais cedo, para os programadores e parceiros começarem a trabalhar em jogos e software para o produto.

DADOS

Somos donos dos nossos dados?

Quando em 2006, o matemático britânico Clive Humby disse «Data is the new oil», ele quis dizer que os dados, tal como o petróleo, devem ser refinados e transformados para que se tornem produtos e serviços úteis. 

Só então é que se tornam valiosos.

As pessoas esquecem-se de que apenas dados relevantes e acionáveis são valiosos.

(⭐Pro ↓)

Muitos dos dados recolhidos são métricas de vaidade (Likes ou Gostos) ou até mesmo palha totalmente irrelevante, muitas vezes contaminados com fraude e spam.

O custo de oportunidade da sua recolha e análise supera qualquer valor residual, é por isso que nas minhas formações de marketing insisto na jornada do cliente e na importância de, na fase de captação de contactos, qualificarmos bem os contactos.

Mesmo quando se tem dados sólidos e modelos preditivos de alta qualidade, isso não significa que se possa realmente explorar essa informação para atingir objetivos comerciais.

A Apple traçou recentemente uma linha, dizendo que os dados do utilizador são propriedade do utilizador, enquanto o Facebook luta para manter o seu livre acesso a esses dados, permitindo assim aumentar as suas vendas aos anunciantes.

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Escrevi sobre a disputa neste artigo > Como a luta entre a Apple e o Facebook vai afetar a privacidade e os anúncios

A questão da propriedade dos dados do utilizador é importante.
E o que dizer sobre o seu controlo?

  • Será que a pessoa ou a empresa que recolhe dados tem o direito de controlar o que é recolhido e como é utilizado?
  • A empresa tem a obrigação de utilizar os dados que adquire sobre os utilizadores apenas para o seu benefício ou é livre de os utilizar contra eles?
  • É livre de os tratar como um bem a ser revendido sem qualquer benefício incremental para o utilizador de quem foram recolhidos?

Em 2019, o Facebook tinha cerca de 71 mil milhões de dólares em receitas, com os quais a empresa obteve cerca de 18,5 mil milhões de dólares em lucros.

Ganhava o seu dinheiro servindo anúncios direcionados a cerca de 2,5 mil milhões de utilizadores mensais ativos. A nível mundial, a receita média anual do Facebook por utilizador (ARPU) foi de cerca de $29,25. 

O Facebook não comunica lucro por utilizador (por vezes chamada de margem média por utilizador, ou AMPU), mas dado que a margem de lucro do Facebook era de cerca de 26% da receita, podemos estimar que o seu lucro médio anual mundial por utilizador era de cerca de $7,50. 

Os números são consideravelmente mais elevados se olharmos para a Europa (AMPU anual de $11,48) ou para a América e Canadá (AMPU anual de $36).

Somos mesmo os donos dos nossos dados?

É difícil argumentar de forma convincente que os clientes do Facebook não obtêm valor com a utilização dos seus serviços.
É muito rentável para as marcas, considerando as oportunidades de segmentação.

Mas a matemática é ainda mais convincente para uma empresa como a Google, uma vez que oferece muito mais nos serviços gratuitos. 

Tim O’Reilly, CEO da O’Reilly Media, estimou, de acordo com os dados que a Google fornece, que a sua ARPU em publicidade foi de cerca de $266 em 2020. 

Dada a margem de lucro líquido da empresa de 22%, o seu AMPU dos EUA parece ser de cerca de $59. Isso é quase o dobro do Facebook.

Se os utilizadores reclamassem um quarto desse lucro, pelo facto de a empresa fazer uso dos seus dados para receita, estaríamos a falar de apenas $15 de valor anual – $1,25 por mês – para pagar aos utilizadores pelos dados que utiliza. 

Parece irrealista?

Já foi tentado.

  • Peoople: uma espécie de Pinterest, onde pode guardar e agrupar várias imagens. As suas recomendações valem dinheiro consoante o número de interações que geram.
  • Minds.com
  • Redgage
  • Youtube: Todos sabem que o Youtube tem o seu próprio sistema de monetização, onde as pessoas partilham o seu conteúdo e recebem pagamento da rede social.

Mas isto pode trazer problemas >

O mercado vai evoluir para os benefícios dos dados partilhados, porque as pessoas estão dispostas a abdicar da sua privacidade em troca de serviços.

Até aqui explorei duas premissas:

  1. Será que os utilizadores não deveriam receber dinheiro por ser a razão da enorme valorização das Big Tech que lucram que os dados dos utilizadores?
  2. A permuta de acesso a serviços em troca dos dados pessoais.

O que pouca gente está à espera é de pagar para usar uma rede social.
A Shifter explorou o tema do «pagar para usar redes sociais»

Para finalizar, os esforços para concentrar a conversa à volta da privacidade como uma solução, é importante, mas está condenada ao fracasso, porque as pessoas vão continuar a aderir a serviços sem ler termos e condições, a fazer chamadas telefónicas de 1€ para serem uma das vencedoras, em milhões de ligações, de recompensas fáceis, em troca consentida dos seus dados pessoais.

Quando abordamos os danos reais a que as pessoas estão expostas quando desistem da discriminação, radicalização ou concorrência desleal dos seus dados – talvez haja a hipótese de fazer alguma diferença.

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TENDÊNCIAS

9 tecnologias revolucionárias em 2021, segundo o MIT.

Vislumbre o nosso futuro coletivo.

Nos últimos 20 anos, o MIT Technology Review compilou uma seleção anual das tecnologias mais importantes do ano. 

Eis as 9 tecnologias revolucionárias de 2021:

(⭐Pro ↓)

  • Vacinas de RNA Mensageiro: As duas vacinas mais eficazes contra o coronavírus são baseadas no RNA mensageiro, uma tecnologia que está em funcionamento há 20 anos e que poderia transformar a medicina, levando a vacinas contra várias doenças infecciosas, incluindo a malária.
  • GPT-3: Grandes modelos informáticos de linguagem natural que aprendem a escrever e a falar são um grande passo em direção à inteligência artificial (IA) que pode compreender e interagir melhor com o mundo. O GPT-3 é de longe o maior modelo até à data.

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  • Algoritmos de recomendação TikTok: Estes algoritmos mudaram a forma como as pessoas se tornam famosas online. A capacidade dos novos criadores de obter, rapidamente, muitos pontos de vista – e a facilidade com que os utilizadores podem descobrir tantos tipos de conteúdo – contribuíram para o impressionante crescimento da aplicação.
  • Baterias de lítio-metal: Os veículos elétricos são caros e só se pode conduzir algumas centenas de quilómetros antes de precisarem de recarregar. As baterias de lítio-metal, ao contrário das baterias de lítio-íon existentes, poderiam aumentar o alcance de um carro elétrico (EV) em 80%.
  • Confiança nos dados: Um depositário de dados é uma entidade jurídica que recolhe e gere os dados pessoais das pessoas em seu nome. Poderiam oferecer uma solução potencial para problemas de longa data em matéria de privacidade e segurança.
  • Hidrogénio verde:O hidrogénio foi sempre um possível e intrigante substituto dos combustíveis fósseis, mas até agora tem sido feito a partir do gás natural; o processo é sujo e problemático em termos energéticos. A rápida queda do custo da energia solar e eólica significa que o hidrogénio verde é agora suficientemente barato para ser prático.
  • Rastreio digital de contacto: Apesar de não ter estado à altura do entusiasmo desta pandemia, o rastreio digital do contacto poderia não só ajudar-nos a preparar para a próxima pandemia, mas também a transportar-nos para outras áreas dos cuidados de saúde.
  • Posicionamento hiperacurado: Enquanto o GPS for necessário, as novas tecnologias de posicionamento têm precisões ao nível de milímetros, invés de metros, atualmente. Isso poderia ser transformador para robôs de entrega e carros com condução automática.
  • Tudo remoto: A pandemia forçou o mundo à distância. Os efeitos no trabalho, jogos, cuidados de saúde, entre outros, são enormes.

As vacinas RNA já estão a mudar as nossas vidas, enquanto outras estão ainda a alguns anos de distância.  A lista é eclética. Algumas das inovações nela contidas estão claramente a causar impacto agora, enquanto algumas ainda não o fizeram; e muitas delas têm o potencial de funcionar tanto para o mal como para o bem.

O facto de representarem ou não progresso daqui a 20 anos depende de como são utilizadas e, claro, de como estamos a definir o progresso até lá. 

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Breves

📌 
O Facebook concordou em restaurar as Páginas dos editores de notícias australianos depois de as ter bloqueado na semana passada. 

📌 
A Nvidia registou um crescimento de 61% no quarto trimestre de receitas, continuando com uma aceleração na sua taxa de crescimento em relação aos últimos trimestres. O motor do crescimento foi o seu centro de dados e empresas de jogos. Os lucros também aumentaram.


📌  De acordo com Gartner, a Apple tornou-se o vendedor de smartphones número 1 do mundo no quarto trimestre. Isso não acontecia desde 2016, na era do iPhone 7. 


📌 
A Square duplicou as suas compras de Bitcoin com a aquisição de $170m em moeda criptográfica. A nova transação segue-se à compra da Square em outubro de 2020 de 4.709 bitcoin (~$50m), e a moeda digital representa agora 5% dos ativos da empresa.