O impacto do conflito Rússia/Ucrânia vai ter repercussões em toda a cadeia económica, não só das empresas, mas também das pessoas, na geopolítica global com os aumentos de preços inevitáveis.

Ainda não se ultrapassaram os efeitos da pandemia e já existe outro problema grave a afetar a sociedade e as empresas.  

A minha abordagem ao tema, na sequência das consequências dos conflitos, é uma aproximação à área tecnológica, à geopolítica digital com a guerra na Europa.

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Desinformação e Ciberataques

Há anos que os esforços de desinformação, ataques a infraestruturas e operações que envolvem o roubo de dados e a pesquisa por materiais sigilosos estão no centro de uma ofensiva online voltada para desestabilizar o governo e as organizações públicas e privadas da Ucrânia.

Os ataques informáticos sucedem desde o início de 2022.
Em Portugal, os casos mais conhecidos foram o grupo Impresa, logo no dia 2 de janeiro, a Vodafone e, no passado dia 23 de fevereiro, o Ministério dos Negócios Estrangeiros foram alvo de ataques informáticos que paralisaram operações, deitaram a baixo os websites e apagaram dados.

Só o ataque à Impresa, a dona da SIC e do Expresso, terá sido reclamado pelo Lapsus$ Group, que inusitadamente publicou uma pergunta no seu canal Telegram , numa espécie de votação,

«O que devemos “vazar” primeiro? Os dados da Impresa, os dados da Vodafone ou os de uma operadora telefónica, a T-Mobile?»

Na última semana, antes da escalada dos conflitos, a Ucrânia alertou para a «guerra híbrida», com robôs a agir nas redes sociais, falsas denúncias de bomba em locais de grande circulação e golpes diretos contra serviços digitais.

Na conta do Instagram o Ministério da Defesa ucraniano partilham os desenvolvimentos da guerra e recomendações de ataque à população:

ministério da defesa ucraniano

De acordo com Maggie Smith, professora de políticas públicas da Academia Militar de West Point, nos Estados Unidos, a desinformação também é voltada ao próprio povo russo, como forma de gerar apoio a um conflito que começou de forma direta. Inclui narrativas falsas que falam na Ucrânia como um território cuja população pretende a reunificação com a Rússia e reproduzem o Kremlin de que a invasão, agora real, é uma operação de pacificação e liberdade.


NATO e a nova ciberguerra tecnológica: Geopolítica Digital

O principal objetivo da ciberguerra é prejudicar infraestrutura estatal, serviços essenciais para a população e até sistemas de atendimento hospitalar, redes de energia, internet e o setor bancário como uma forma de tornar mais poderosa um conflito bélico.

As consequências serão múltiplas como os meios de comunicação têm vindo a noticiar em todo o lado. A escalada da guerra tem assustado os mercados energéticos e as consequentes sanções vão perturbar o abastecimento global de combustíveis fósseis. 

Dimensão da Ucrânia no meio da Europa

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Ucrânia na Europa


Grande parte das sanções económicas contra a Rússia tem como alvo instituições financeiras ou indivíduos específicos, contudo, o impacto na moeda russa deverá trazer consequências aos negócios das agências.

O rublo russo atingiu ontem, dia 24 de fevereiro, um mínimo histórico – 89,98 rublos equivalem agora a um dólar.

Porque é importante: como as empresas de tecnologia respondem aos esforços de desinformação da Rússia em tempo real pode moldar o papel que desempenham em futuros conflitos geopolíticos. 

  • O chefe de política de segurança da Meta, Nathaniel Gleicher, anunciou um Centro de Operações Especiais para responder a ameaças em tempo real e uma nova ferramenta para permitir que as pessoas na Ucrânia bloqueiem os seus perfis.
  • O Twitter apresentou ferramentas de segurança e incentivou os utilizadores a configurar a autenticação de dois fatores, já que a conta oficial do Twitter da Ucrânia instou a empresa a expulsar a conta oficial da Rússia da plataforma por espalhar desinformação.

O quadro geral: a Rússia é famosa pela manipulação nos meios de comunicação e aprimorou as competências antes das eleições americanas de 2016, disse Simon Miles, professor assistente da Escola de Políticas Públicas Stanford da Duke University.

«Veremos os russos a usar ferramentas para semear tanto pânico e caos na Ucrânia quanto possível.»

Importante: ao implantar as suas próprias campanhas de desinformação, a Rússia também está entre os países mais agressivos ao pedir às empresas de tecnologia que removam conteúdo, impondo multas de US$ 100 milhões ao Google e US$ 27 milhões à Meta em 2021, por não remover material que o governo solicitou para banir.

Isso pode dificultar o rigor das plataformas de tecnologia em parar as campanhas de desinformação, partilhou Justin Sherman, membro da Cyber ​​Statecraft Initiative do Atlantic Council.

Em setembro 2021, tanto a Apple quanto a Meta removeram uma aplicação mobile criada pelo líder da oposição russa Alexei Navalny a pedido do governo, após uma campanha de pressão agressiva.


Manobras da Big Tech

Conflitos passados ​​em lugares como Mianmar, Índia e Filipinas mostram que os gigantes da tecnologia são frequentemente manipuladas por crises de desinformação patrocinadas pelo Estado devido a barreiras linguísticas e falta de conhecimento cultural.

Mesmo que as plataformas sociais implementem novas políticas, isso pode ser complexo na exigência de recursos suficientes em contextos que não falam inglês e não são ocidentais.

Quais são os Países da NATO?

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Albânia, Alemanha, Bélgica, Bulgária, Canadá, Chéquia, Croácia, Dinamarca, Eslováquia, Eslovénia, Espanha, Estados Unidos, Estónia, França, Grécia, Hungria, Islândia, Itália, Letónia, Lituânia, Luxemburgo, Macedónia do Norte, Montenegro, Noruega, Países Baixos, Polónia, Portugal, Reino Unido, Roménia, Turquia.

O Estado-Membro mais recente é Montenegro e a OTAN reconhece a Bósnia e Herzegovina, a Geórgia, a Macedónia e a Ucrânia como membros aspirantes.


A guerra cibernética e as empresas privadas

É possível que, na guerra perpetuada pela Rússia na Ucrânia, apareçam mais vídeos encenados ou fabricados vindos da Rússia retratando eventos falsos, uma prática que a Rússia aumentou na semana passada.

Vários sites do governo ucraniano ficaram offline devido a um ataque informático, segundo a CNBC.

O sector de tecnologia na Ucrânia está a ser afetado, entre as empresas tecnológicas e startups.

A Ubisoft tem um dos seus maiores departamentos na capital da Ucrânia e está a monitorizar a situação, segundo escreve a FastCompany. Entre as empresas localizadas na Ucrânia que têm crescido nos últimos anos estão a Ajax, focada na segurança de redes domésticas, a Grammarly, uma ferramenta de correção automática de textos, a aplicação Reface, ou o sistema de câmaras para animais domésticos Petcube e a MacPaw.

As agências de meios como a OMD, PHD, BBDO, WPP, Dentsu, Publicis, Havas e IPG têm escritórios em Moscovo e, segundo o The Drum, vão ter dificuldade operacional, devido às repercussões das sansões aplicadas.

Outro exemplo simples, mas que pode alargar-se a outras marcas é que o Schalke 04, clube de futebol que integra a segunda divisão alemã, anunciou que decidiu retirar o patrocínio da Gazprom dos seus equipamentos.

Os EUA têm os maiores empresas mundiais da indústria de semicondutores – como Intel, Qualcomm e Nvidia – e empresas americanas criam softwares que rivais estrangeiros usam para projetar os seus próprios chips

Bloquear o acesso russo às principais ferramentas de design dos EUA e chips de marca pode prejudicar a indústria de tecnologia russa. 

Toda a tecnologia moderna, incluindo carros, smartphones e mísseis, depende do fornecimento de semicondutores.

Depois os grupos organizados conhecidos por ataques informáticos, vão causar alguma disrupção.

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Com consequências imediatas, e vários sites Russos (apoiados pelo regime) offline.

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Os abalos nos mercados financeiros já estão a ter consequências para não falar das relações comerciais.

Os ataques informáticos pretendem prejudicar infraestrutura estatal, serviços essenciais para a população e até sistemas de atendimento hospitalar, redes de energia, internet e o setor bancário é uma forma de tornar mais poderosa um conflito bélico que pode acontecer apenas nas fronteiras.

Presumir que as plataformas de tecnologia são atores «neutros» quando fornecem plataformas e serviços é incorreto, porque até mesmo a decisão de fornecer serviços a alguém, de um ativista, a um terrorista é tomar uma posição.

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Outras referências: empresa de consultoria > consultoria empresarial >