As grandes empresas tecnológicas estão a adaptar-se e a incorporar soluções de e-commerce, com reforço neste período de grande consumo exacerbado, conhecido como a Black Friday ou a Cyber Monday. 

Com o crescimento do e-commerce, Amazon, Pinterest, Facebook, Instagram, TikTok estão a aumentar o investimento em vídeos de transmissão ao vivo com novas funcionalidades para comprar artigos diretamente nas aplicações.

Na base das soluções tecnológicas estão os dias de descontos e promoções generalizadas com promessas de preços baixos, mas em alguns casos escondem-se ofertas duvidosas:

  • 99,5% dos produtos em lojas online eram mais baratos ou tinham o mesmo preço apresentado antes da Black Friday (estudo da Witch).
  • Um número significativo de compradores não consegue pagar facilmente as suas compras e alguns até se endividam após serem atraídos pelo hype.
  • Chegado o momento de compra, aquilo que os portugueses mais valorizam são a qualidade do produto (74%), descontos (71%) e sustentabilidade (22%), fatores «que estão no topo das prioridades dos consumidores» (estudo Salesforce Holiday Insights Survey).

De acordo com o estudo Google Consumer Survey Portugal, a maioria dos consumidores está disposta a gastar até 200 euros na Black Friday, evento que marca o arranque da época de compras dos dois últimos meses do ano.

«Quase um em cada dois» consumidores portugueses vai aproveitar esta época de consumismo.

Quando é a Black Friday

Em 2021, a Black Friday aconteceu a 26 de novembro. 
A Black Friday é, originalmente, um feriado americano (não oficial), mas, nas últimas décadas, o fenómeno americano espalhou os seus tentáculos por todo o mundo, da loja física tradicional ao ambiente digital.
As primeiras menções da Black Friday, como a conhecemos, teriam ocorrido por volta da década de 1960, em Filadélfia. Os polícias de trânsito cunharam o termo para descrever as grandes multidões (criando engarrafamentos e passeios superlotados) que se concentravam para comprar nas lojas, após o Dia de Ação de Graças, e dar início às suas compras de Natal.

Durante a Black Friday e a Cyber ​​Monday, a grande maioria das marcas têm um objetivo: atrair consumidores para o seu site ou loja online, apresentando uma oferta imperdível, esperando persuadir os consumidores a comprar.

A área de retalho é a primeira a anunciar promoções especiais, tipicamente durante 30 dias. 

Black Friday Portugal: O efeito nas vendas online

O e-commerce B2C de produtos, em 2020, não incluindo serviços, cresceu 46% em Portugal, alcançando um valor total na ordem de 4,4 mil milhões de euros. 

Para comparação, no Brasil, o crescimento do e-commerce no mesmo período foi de 68%, segundo estudo da Associação Brasileira de Comércio Eletrónico (ABComm), em parceria com a Neotrust.

Há milhares de ofertas de negócios todos os anos, durante a temporada da Black Friday, mas isso não significa que valha a pena comprar. 

Atualmente, em Portugal, a expressão Black Friday tem sensivelmente 17 mil pesquisas em outubro e 49,5 mil pesquisas em novembro.

Volume de pesquisa nos últimos 5 anos

Achei interessante uma publicação no LinkedIn partilhada pelo CEO do KuantoKusta, Paulo Pimenta, em relação às localidades onde se realizaram mais compras, durante a Black Friday.

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Compras realizadas em Portugal durante a Black Friday


Black Friday Worten: «Marca na agenda o dia 26»

Há descontos muito competitivos e as «worten promoções» são atrativas.

O meu objetivo é compreender se o estudo internacional da Witch em relação ao facto de a maioria dos produtos ser mais barato ou ter o mesmo preço em outras épocas do ano  comparativamente com o preço da Black Friday.

Portanto, inicio a minha pesquisa na Google.

No dia 26 de novembro 2021, às 10:30h, este produto na página principal atrai a minha atenção:

Portanto, de acordo com o comparador de preços da Deco Proteste, no dia 21 de outubro 2021, o preço deste smartwatch esteve a 139,99€, mais barato quando comparado com os 149,99€ e o desconto especial 😐 de Black Friday. 

As palavras falam por si.


Black Friday Fnac: «A partir de 11 de novembro para Aderentes»

Inicio a pesquisa pelo motor de pesquisa Google.

Entro na página e clico na secção de informática.

O Apple iPad Pro cativa o meu interesse e está com uma promoção Black Friday com 10%.

Curiosamente a 9, 10, 11 e 12 de setembro, custava 1555€ e em semana de Black Friday, 1559€.


O desconto de 40% também é interessante…

Em outubro, tinha o mesmo preço.


Black Friday El Corte Inglés: «Só 3 dias! De 26 a 28 de novembro»

Novamente, inicio a pesquisa pela Google.

A homepage do El Corte Inglês tem um banner chamativo «Só 3 dias, de 26 a 28 de novembro ofertas incríveis».

Clico em tecnologia para analisar esses descontos e avanço para o banner da informática para pesquisar tablets e computadores.

O primeiro produto da secção de informática, está esgotado, mas vou consultar a variação dos preços.

No final de agosto e principio de setembro o preço esteve a 99,99€.
Curiosamente é o mesmo preço em semana especial «Só 3 dias» de Black Friday.

Na montra de produtos à venda online do El Corte Inglês, foi o único e-commerce em que não detetei produtos com preço mas baixo, antes do período Black Friday.
Apenas produtos que já tiveram o mesmo preço, meses antes.


Qual o preço? Use a inteligência das plataformas na internet

Antes de adicionar qualquer oferta ao seu carrinho, reserve um momento para verificar o preço. 

Só porque está listado como um negócio da Black Friday não significa que o preço seja fantástico – certifique-se de que é  o melhor preço antes de comprar.

Soluções:

  • Verifique se a plataforma de e-commerce tem um comparador de preço próprio (é raro).
  • A ferramenta Comparar Preços da Deco Prosteste ajuda a perceber se os descontos anunciados em épocas como a Black Friday ou a Cyber Monday são boas oportunidades de compra. Esta ferramenta de pesquisa regista a evolução dos preços dos produtos nas lojas online para aconselhar ou não a sua compra. Basta pesquisar o nome da loja e do produto ou, mais simples ainda, inserir na caixa «Pesquisa pelo URL» o link completo do produto tal como surge na loja online
  • O Comparador Zwame.pt também consegue verificar o histórico de preço dos produtos, em gráfico.
  • Compare os preços no kuantokusta.pt

A entidade atenta às falsas promoções é a Autoridade de Segurança Alimentar e Económica (ASAE), com ações de fiscalização para prevenir práticas ilícitas, como vendas abaixo do custo.

Em anos anteriores, nesta data, a ASAE deu origem a uns incríveis cinco processos de contraordenação. 

Queixas de preços artificialmente inflacionados na véspera das promoções levaram a Deco a analisar quase 2000 produtos, concluindo que muitas lojas manipularam, de facto, os valores.


O que é consumismo consciente?

Consumismo consciente, também conhecido como consumismo ético, é adquirir de modo a que essas compras tenham um impacto positivo e certificar-se de que as suas compras apoiam ​​pessoas, organizações e causas importantes para si. 

Já optou pela pequena empresa em vez da grande organização, ou escolheu um produto especificamente pelos seus valores éticos e/ou ambientais?
Parabéns, está no caminho para ser um consumidor consciente.

Achei este artigo interessante: «Stop Before You Shop: The Issues With Black Friday and Cyber Monday»


Big Tech e as inovações mundiais na área de e-Commerce

Youtube e Instagram estão a inovar com grande celeridade, com vista à compra direta através das suas plataformas, enquanto assistimos a um vídeo ao vivo. 

O Facebook está a realizar transmissões de vídeo ao vivo, com enquadramento infocomercial para encorajar as pessoas a comprar. Muitas personalidades e empresas da Internet já lançam os seus produtos nas redes sociais. 

Mas, pela primeira vez nos Estados Unidos, as empresas de Internet parecem estar a fazer um esforço consertado para fazer das compras um espaço de entretenimento e informação, mas não necessariamente de consumo.

As nossas experiências online são moldadas tanto pelos interesses das corporações como pelos nossos desejos.

Durante anos na China, os jovens têm estado apaixonados por webcasts de compras, vídeos curtos e personalidades que expõem os seus hábitos diários, partilhando a informação sobre os produtos e com a possibilidade de comprar instantaneamente.

Isto acontece muitas vezes sob a forma de transmissões ao vivo em vídeo.

Num desses webcasts no mês passado, um apresentador chinês vendeu online mercadorias no valor de $1,9 mil milhões de dólares, num único dia.

Os tecnólogos preveem que é apenas uma questão de tempo até americanos e europeus se viciarem em misturas semelhantes de comércio eletrónico e redes sociais, mas isso ainda não aconteceu.

Muitas pessoas e empresas no Instagram, YouTube e TikTok vendem mercadorias, mas muitas vezes orientam as pessoas para comprar na Amazon, Sephora ou outro website onde o checkout está presente.

Parte da magia das compras chinesas emapp é que se pode comprar algo ao milissegundo que o cérebro diz: «Oooh, eu quero-o!»

Não tenho a certeza de que as compras ao estilo chinês possam ser aceites nos Estados Unidos ou na Europa.

Mas há agora tantas empresas na Internet a impulsionar esta tendência que podemos mudar os nossos hábitos.


Inovação nas vendas online do Youtube

Recentemente, os executivos do YouTube têm expandido a forma como os criadores de vídeo podem vender os seus produtos ou serviços na plataforma.

A próspera economia dos criadores pode tornar-se um «rolo compressor» graças ao e-commerce, à medida que pessoas com seguidores online vendem produtos, assumindo uma parcela maior dos gastos dos consumidores, afirmou o diretor de negócios do YouTube, Robert Kyncl.

Esta semana, o YouTube, propriedade da Google, detalhou os seus planos para introduzir webcasts de compras ao vivo e «vídeos de compras» a tempo da Black Friday e da época festival do Natal.

Nos últimos cinco anos, o número de criadores que vivem do YouTube tem crescido de forma consistente, o que ajudou a receita de publicidade do Youtube a aumentar 40% ano após ano.

A miscelânea de produtos que os criadores podem usar para alcançar os fãs resume-se a recursos como gorjetas e um fundo para criadores para incentivar os artistas a produzir vídeos. 

Nos últimos três anos, pagou US $ 30 mil milhões aos criadores. 

«Queremos que esse número seja muito maior e cresça mais rápido», disse Kyncl em entrevista ao The Information.

E, no ano passado, lançou apressadamente um recurso que imita uma funcionalidade do TikTok chamado YouTube Shorts, que está agora a ganhar força, em vez de vídeos mais longos.

A unidade de vídeo é propriedade da Google e gerou US $ 20 mil milhões em receita de publicidade nos primeiros nove meses deste ano, com margem para algumas incursões no comércio eletrónico. 

Pessoas com canais no YouTube podem criar lojas de mercadorias online vinculadas à Spring. E o YouTube comprou recentemente o site de comércio social indiano Simsim, que hospeda análises de produtos gravadas por influenciadores.

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E-commerce através das transmissões ao vivo

Amazon, Snapchat, Pinterest, Facebook e Instagram estão a aumentar a disponibilização de webcasts de compras e funcionalidades para comprar artigos diretamente nas aplicações.

O Facebook e a Google olham para os milhares de milhões de pessoas que utilizam as suas aplicações todos os dias e querem rentabilizar essa audiência de todas as formas possíveis.

Essas empresas vão querer uma taxa pelas vendas de produtos, embora ainda não seja nada oficial.

As empresas com grandes audiências, nomeadamente as Big Tech, estão a trabalhar arduamente para satisfazer as pessoas com grandes volumes de seguidores no Instagram, YouTube, Snapchat ou TikTok.

Leia também o artigo: Ser remunerado para criar conteúdo nas redes sociais

As vendas de comércio eletrónico são uma cenoura que os gigantes da Internet podem oferecer aos criadores para os ajudar a ganhar mais dinheiro.

A Google não adora que a maioria das pessoas recorra à Amazon quando procura produtos, e não à sua caixa de pesquisa na web

Uma pesquisa realizada pela PowerReviews descobriu que a Amazon é o ponto de partida preferido para a pesquisa de produtos. A Google vem em segundo lugar, seguido por sites de marcas e mercados de comércio eletrónico (eBay, Etsy, etc.).

  • Amazon – 38%
  • Google – 35%

O Facebook e o Snapchat estão preocupados com as novas regras de privacidade de dados da Apple, que estão a comer as suas vendas de publicidade. 

Diversificar para o comércio eletrónico significa um plano B. 

E as vendas de anúncios, por si só, podem ser suficientes para empresas jovens da Internet como a Pinterest e a Snap.

Comprar nos nossos destinos preferidos de entretenimento online pode ser útil ou podemos sentir-nos à vontade para fazer compras onde conversamos com os nossos grupos no Facebook. 

Se as compras na Europa e nos EUA se tornarem um pouco mais parecidas com a forma como funcionam na China, pode acontecer porque as grandes empresas tecnológicas querem e não necessariamente porque as pessoas querem, não atendendo à perspetiva cultural.

Qual é a sua opinião sobre os webcasts de compras e a compra de produtos diretamente em vídeo como o YouTube ou Instagram? 

Quer comprar diretamente a partir destas plataformas?